
Em 1992, nós as Travestis e Transexuais estávamos reunidas com o intuito de criar uma rede nacional que viesse nos proporcionar uma maior articulação política dentro do cenário nacional, pois tínhamos vontade política, mas faltava uma ferramenta que proporcionasse essa interlocução e comunicação em uma linha geral e única de articulação, foram várias tentativas desde 1992 até 2000 quando enfim na cidade de Porto Alegre no mês de dezembro é fundada a Articulação Nacional de Transgêneros, que depois se tornaria Articulação Nacional de Travestis, Transexuais e Transgêneros ANTRA. Após a fundação da rede nacional começa a aparecer dentro do cenário algumas Trans se destacando, seja nas cobranças de políticas públicas para o segmento seja ocupando espaços de controle social. Na primeira gestão em 2000, o grupo escolhido para presidir a ANTRA foi o Grupo Esperança de Curitiba e nessa gestão além de uma farta inclusão da ANTRA no cenário nacional já é criada um folheto falando sobre sustentabilidade, importante ferramenta para as nossas atuais e futuras associadas, em 2002 entra nova gestão dessa vez para a Associação de Travestis do Ceará, ATRAC, Fortaleza essa diretoria idealizou e iniciou o Projeto Tulipa, um projeto de abrangência nacional e que visa identificar e capacitar novas lideranças no cenário nacional para atuarem em diversos frentes de construção e garantia de direitos para a população Trans, porém essa gestão foi encerrada, pois a nossa presidenta Janaína Dutra teve que se despedir de nós um pouco cedo demais, mas deixou plantada a semente.
Nesse ínterim assume a vice que também tem seu estado de saúde agravado e não tem tempo para ver o Projeto Tulipa desenvolvido, então a ANTRA tem uma terceira diretoria, dessa vez fica na Associação de Travestis de Salvador ATRAS.
Nessa gestão começamos a trabalhar mais intensamente a nossa comunicação, ficamos mais interligadas e com isso conseguimos importantes avanços nas ocupações de espaços dentro do cenário político nacional, e pela primeira vez em parceria com as outras duas diretorias conseguimos que o governo federal discutisse e junto com a ANTRA criasse uma campanha nacional para desmistificar a discriminação dessa população, com isso nasce à campanha “Travesti e Respeito”, onde no dia 28 de janeiro de 2003 ela é lançada dentro do congresso nacional. Também estão sendo continuada as ações do Tulipa, pois temos cinco projetos regionais que tem como objetivo capacitar as lideranças trans das cinco regiões brasileiras, fazendo com que essas ações se interiorizem para uma maior cobertura.
E agora fechando os dois anos de mandato presenteamos as associadas da ANTRA com este site que com certeza pode não ser o melhor, mas será muito importante para as nossas ampliações e discussões, bem como para socialização com todos, as nossas ações em busca da igualdade de direitos e com respeito ao público em geral.
PRINCIPAIS
LINHAS DE ATUAÇÃO DA ANTRA
- Promover
campanhas informativas com diretrizes políticas e apresentar
proposta a fim de promover o direito das ONG associadas;
- Colaborar
em todos os níveis com outras redes a fim de desenvolverem
trabalhos conjuntamente intercambiando experiências nas áreas
de atuação de cada uma;
- Denunciar
e promover a divulgação em todos os meios de comunicação
possíveis de todo e qualquer caso onde for detectado preconceito
e ou discriminação;
- Ter por
principio apoiar toda e qualquer ação de prevenção
do HIV/Aids e outras DST em todos os seus aspectos e âmbitos;
- Apoiar
as ações que visem a melhora da qualidade de vida das
pessoas vivendo com HIV/Aids.

Algumas
das nossas militantes

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XIV anos de ENTLAIDS.
Os encontros nacionais de travestis iniciaram em 1993, na cidade do Rio de Janeiro, realizado pelo grupo ASTRAL, que era coordenado por Jovana Baby.
Esse encontro nasceu por uma decisão das travestis que compunham a ASTRAL, por uma necessidade de se auto-organizar, por isso esse encontro aconteceu e foi realizado no ISER, uma instituição onde se reuniam as travestis da ASTRAL.
Esse primeiro encontro teve como tema: “Cidadania não tem roupa certa” e teve um total de 95 participantes.
Ficou decidido pelos participantes que a partir daí esses encontros aconteceria anualmente e que seriam realizados um ano no Rio e outro fora do Rio, portanto o próximo seria realizado em Vitória.
Com o segundo acontecendo em Vitória, no ano de 1994 e tendo 80 participantes, um número razoavelmente significativo para a época e aí conseqüentemente o terceiro foi no Rio de Janeiro, por conta da deliberação do primeiro em 1995, e teve 120 participantes ao final do encontro saiu referendada a coordenar o quarto encontro à cidade de Curitiba.
Porém faltando apenas quatro meses para realização do evento os coordenadores de Curitiba disseram que não tinha condição de organizar o evento segundo a coordenadora da ASTRAL, que assumiu a coordenação do evento e o realizou, e foi a partir daí que o Programa Nacional começou a apoiar os ENTLAIDS o tema desse quarto encontro foi: “Conquistando novos espaços”. Esse foi o ano de 1996, e tinha 130 participantes, e foi o primeiro que tive o prazer de participar.
Daí esses encontros sempre aconteceram no mês de junho.
O quinto encontro foi em São Paulo, em 1997, realizado pelo Grupo Filadélfia de Santos em parceria com técnicos do CRT, de São Paulo, esse encontro teve como tema: “Abrindo novos caminhos”. E foi o encontro que conseguiu o maior número de participações, 280 no total.
O sexto encontro aconteceu novamente no Rio, com 230 participantes em 1998, mas desse encontro não me recordo, pois estava fora do Brasil e não pude estar presente, mas o fato é que aconteceu e se tornou como um marco dentro do movimento.
O sétimo encontro foi realizado em Fortaleza, no ano de 1999, e um total de 250 participantes, o primeiro e único da região nordeste e foi realizado pela ATRAC em parceria com o GRAB, esse tema foi: “Unid@s construindo uma nova realidade social”.
O oitavo encontro foi realizado no estado do Rio, em 2000, com a presença de 200 pessoas, porém em uma cidade do litoral, Cabo Frio, o primeiro realizado fora de uma capital, novamente realizado pelo Grupo Astral e teve como tema: “unid@s pelo direito de ser”.
Esse encontro referendou Salvador para realizar o próximo encontro, que seria realizado pela ATRAS em parceria com a Unidas de Aracajú, porém não foi realizado porquê alguns meses depois dessa deliberação, foi realizado um EBGLT, em Maceió onde ouve uma assembléia e essa assembléia decidiu que Salvador não tinha condição de realizar o evento por não acharem a associação madura o suficiente para administrar recursos dessa natureza e assim Curitiba se candidatou a organizar o evento e a assembléia referendou, esse encontro aconteceu em 2002, e teve uma participação de 200 pessoas, em 2001 não houve encontro, pois havíamos decidido na assembléia de Cabo Frio (2000), que os ENTLAIDS passariam a ser bianuais. Esse foi o nono encontro e teve como tema: “Políticas públicas na diversidade”
O próximo encontro que seria o décimo aconteceu em Porto Alegre no ano de 2003 com um total de 250 pessoas e teve como tema: “Direitos Humanos” Promoção à saúde, prevenção, sustentabilidade, sexualidade e avanços do movimento trans nacional.
Esse encontro foi o que podemos observar um amadurecimento político maior das travestis dentro do cenário político nacional, também nesse ínterim foi fundado e registrado a ANTRA, Articulação Nacional das Transgêneros, importante espaço para discussões de políticas para o nosso segmento e a Rede se transformou em um espaço democrático de discussões e deliberações, passando por uma primeira gestão, depois uma segunda que terminou agora e vamos prosseguir com esta terceira gestão que acaba de ser eleita para o biênio 2005/2006.
O XI ENTLAIDS aconteceu na cidade de Campo Grande MS realizado pela ATMS em 2004 e foi onde a ANTRA se reuniu para eleger a sua atual diretoria, também foi o primeiro encontro do gênero naquela região que teve um total de 260 participantes e o tema escolhido foi “Uma década de ENTLAIDS”. Em 2005 foi referendada pela assembléia de Campo Grande a realização do ENTLAIDS na cidade de Florianópolis e aconteceu organizado pela Adeh Nostro Mundo e teve um total de 200 participações e teve como tema: “Políticas Públicas na Diversidade” Para sediar o XIII ENTLAIDS a cidade escolhida foi Goiânia por ser uma cidade dentro do país que ainda tem muita violação dos direitos humanos para as Travestis e Transexuais e que nada mais justo que realizar um encontro nacional para protestar contra essas violações, tivemos um total de 200 participantes e o tema foi: “Um Brasil de Todos é um Brasil sem Transfobia”, tema muito importante para ser debatido naquela cidade onde impera a violência, na assembléia final foi escolhida para sediar o XIV encontro a cidade de São Paulo após 10 anos da realização do último.
HISTÓRICO DA ANTRA
A ANTRA nasce em dezembro de 2000 na cidade de Porto Alegre, com cerca de 28 instituições de todo o Brasil para a sua fundação, logo no ano seguinte recebe mais pedidos de filiações que continuaria até os dias atuais. Esse é um sonho antigo das Trans, ter uma rede nacional para discutir elencar encaminha e referendar propostas que viesse contemplar as populações de Trans do Brasil. Então com o inicio do movimento em 1992 e com o nascimento da RENATA Rede Nacional de Travestis em 1994, e depois RENTRAL Rede Nacional de Travestis e Liberados em 1997, só em 2000 pudemos ter a realização da fundação da ANTRA que completa seis anos com 52 instituições afiliadas em todo o Brasil tendo a sua presidência sediada em Salvador e a anterior em Fortaleza e a primeira gestão sendo sediada na cidade de Curitiba.
A ANTRA desde a sua fundação tem cada dia se firmado mais como representante nacional dos segmentos de Travestis e Transexuais, hoje já com uma representante em cada estado da federação e com várias outras lideranças espalhadas pelas maiores cidades Brasileiras, esse ano completa a sua gestão e realizará a assembléia ordinária para mudança da diretoria para o biênio 2007/2008.
Nesses seis anos de existência já ocupou vários espaços de discussões e encaminhamento de propostas dentro do cenário nacional e atualmente tem representantes em vários Grupos de Trabalhos no Governo Federal a destacar a representação no GT de Educação, do Ministério da Educação no GT de Cultura no Ministério da Cultura, no GT da Saúde GLBT do Ministério da Saúde esses programas dentro da proposta do Brasil sem Homofobia, projeto do Governo Federal e também as representantes no Conselho Nacional de Combate a Discriminação CNCD e na Secretaria Nacional de Segurança Pública SENASP.
Foi a idealizadora da única campanha criada por um governo para a população Trans a campanha “Travesti e Respeito: Já está na hora dos dois serem vistos juntos em casa, na boate, na escola, no trabalho na vida”.
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